sexta-feira, 22 de abril de 2011

Paixão de Cristo: para uns sacrifício vicário, para outros apenas um trabalho!

Por

Angela Vauthier



Conta-nos a Bíblia Sagrada em Êxodo 12 que o Senhor Deus ordenou aos hebreus que sacrificasse um cordeiro e que o seu sangue fosse espargido nos umbrais das portas de suas casas para identificar, quando o anjo da morte passasse, que ali morava um escolhido de Deus. Esse sinal mostrava que o sangue do cordeiro havia sido derramado em favor da vida daqueles moradores. Logo após essa celebração da Páscoa os hebreus foram libertos do Egito, passando a viver uma nova vida guiada pelo Senhor.




Quando Jesus veio ao mundo, os judeus ainda celebravam a Páscoa relembrando a sua libertação do Egito, porém na noite em que Ele foi traído, ao celebrar a Páscoa com os Seus discípulos, Ele tomou o pão e o vinho e disse que ambos eram o Seu corpo e o Seu sangue. E deixou bem claro que era o sangue de um novo testamento que era derramado, ou seja, a partir daquele momento não seria mais necessário se matar um cordeiro para salvar os pecadores, pois Ele mesmo estava derramando o Seu próprio sangue em favor da humanidade: “Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no Meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22.20). “Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?” (Hebreus 9.16,17). “... e sem derramamento de sangue não há remissão.” (Hebreus 9.22b) “...Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”. (Hebreus 9:26b).




Infelizmente com o passar dos anos, as pessoas esqueceram qual o verdadeiro significado da Páscoa e seu verdadeiro símbolo. O que vemos sempre nessa época é o consumismo exacerbado de ovos de chocolate, peixe, bacalhau, porque na semana denominada de “Santa”, para alguns, existem restrições de certos alimentos e/ou a tradição de ter outros na mesa. Muitos nem sabem o real significado da data, apenas seguem a famosa “tradição”. A frase é praticamente unânime: “não posso deixar de comprar, é a tradição, não pode faltar na mesa”. Alguns aproveitam a data para se reunir com a família, viajar, enfim, aproveitar o feriado com muito lazer. As crianças são as mais influenciadas por toda essa pressão de consumir chocolates nessa época.

É lamentável que as pessoas prefiram educar seus filhos comemorando uma mentira do que falar a verdade do sacrifício de Cristo por nós pecadores. Preferem ensinar que um coelho vem trazer ovos de chocolate pra criança do que ensinar que um Cordeiro (o Cordeiro de Deus) veio dar a Sua vida pra perdoar os nossos pecados. É muito insano isso, um coelho não põe ovos e muito menos de chocolate! Nesse caso se aplica o texto bíblico: “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem” (Mateus 15.11). Não posso comer carne, porque Jesus teve seu corpo sacrificado por nós, mas posso mentir com a estória do coelhinho da páscoa?

Mas o que me entristece também é ver que além de toda essa “tradição” de não comer carne vermelha, apenas peixe e/ou bacalhau e presentear com os “benditos” ovos de chocolate, existe também o cúmulo do absurdo que se tornou a “Indústria da Paixão de Cristo”. Todos os anos milhares de pessoas costumam assistir apresentações teatrais do sacrifício de Cristo em suas cidades, claro que é uma boa maneira de levar às pessoas a conhecerem o que Ele fez por nós, mas em alguns casos a coisa está extrapolando os limites bíblicos para se tornar apenas lucrativo.

Aqui em Pernambuco por exemplo, há 44 anos que é encenada a Paixão de Cristo em Fazenda Nova. Tudo começou com a ideia de um comerciante em fazer apresentações do sacrifício de Cristo pelas ruas da cidade para atrair hóspedes para o hotel de sua família. Passaram-se 17 anos até que foi construído por sua família o maior teatro ao ar livre do mundo (http://www.novajerusalem.com.br/2011/) e aí começasse também a exploração em torno de algo tão sagrado.

Durante muitos anos, de 1978 a 1996, um único ator fazia o papel de Jesus Cristo, o pernambucano José Pimentel, até que a Rede Globo resolveu colocar os seus atores no elenco principal do espetáculo e os pernambucanos ficaram apenas como figurantes. Daí, o que era um espetáculo “cristão” (?) passou a ser um espetáculo “global”. Como não era mais a “estrela” do espetáculo em Fazenda Nova, José Pimentel resolveu montar o seu próprio espetáculo em Recife em 1997 e só então o público “pobre” passou a assistir a Paixão de Cristo. Apesar de representar o Cristo há mais de 30 anos, nada aprendeu com Ele, pois a mesma boca que fala os textos sagrados com tanta mansidão, também fala palavras obscenas com a maior naturalidade.

Todos os anos o papel de Jesus Cristo é representado por um ator que tenha se destacado numa novela da Rede Globo, e isso se estende para os papéis de Maria, Pilatos, Maria Madalena e Herodes. Interessante é que o ator que representa uma história bíblica nem precisa ter fé em Deus ou em Jesus Cristo, mas se for um excelente profissional ganha o papel. Não podemos esquecer também do valor dos ingressos. Esse ano os preços vão de R$ 50,00 a R$ 80,00. Você também tem a opção de se hospedar no hotel do teatro e ainda se tornar um dos figurantes do espetáculo por um “precinho” razoável entre R$ 2.020,00 a R$ 3.325,00. O intuito do espetáculo seria mostrar o sacrifício de Cristo, mas com esse desfile de atores globais fica complicado você saber quem vai ver o sacrifício de Cristo ou vai fazer sacrifício para ver o “Cristo”, porque os atores são escolhidos a dedo: Fábio Assunção, Luciano Szafir, Murilo Rosa, Carmo Dela Vechia, Eriberto Leão, Tiago Lacerda (não lembro os nomes de todos), sem contar os outros atores que fazem os papéis de Pilatos e Herodes. Fica difícil não achar que a escolha é justamente pra chamar a atenção das fãs e aumentar a renda na bilheteria. Certa vez foi feito um leilão num programa de TV da cueca que Tiago Lacerda usou na Paixão de Cristo. Absurdo!


Ano passado, a atriz Susana Vieira representou Maria e em entrevista coletiva disse que seria uma Maria bem diferente das outras, seria uma Maria questionadora, que reclamaria muito, que não aceitaria ver o seu filho sofrendo e ela ficar calada:

“Suzana começa a entrevista falando de sua Maria, que seria diferente das feitas em anos anteriores. “Queria uma personagem inconformada. Gente, o filho dela está morrendo, não posso ficar só chorando. Nenhuma mãe ficaria”.
Polêmica, ela revela que discorda que Jesus seja filho do Espírito Santo, como escrito na Bíblia. “Para mim, ele foi concebido por José e Maria e só depois Deus O escolheu para representar Seu filho na terra”.
(http://www.diariodepernambuco.com.br/Viver/nota.asp?materia=20100326161824&assunto=117&onde=Viver)

Então eu pergunto: primeiro, pra representar Maria não deveria ser uma mulher bem mais jovem, afinal ela era uma virgem e naquela época as mulheres se casavam novinhas?; segundo, a Bíblia não diz que Maria era uma mulher obediente e temente a Deus: “Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.” (Lucas 1.38)?. Sem esquecer que a cultura de lá não permite que as mulheres tenham esse tipo de comportamento. E por último: como pode alguém representar uma história bíblica sem crer nela? Afinal, a Bíblia não é um livro comum, é um livro sagrado. Se não crê na Bíblia, então não aceite um papel de cunho religioso. Mas como já citei anteriormente, o que importa pra direção do espetáculo é que seja um ator global e muito profissional para fazer parte da encenação.

E ainda existem outras encenações com artistas famosos espalhados pelo país, e fica a dúvida: será que estas pessoas entendem o verdadeiro significado do que estão representando?

É lamentável saber que o sacrifício de Cristo para salvação do homem tenha se tornado um meio lucrativo para muitos e tenha perdido o seu real significado para outros. O espetáculo pode ser muito lindo, eu nunca fui assistir, mas de nada adianta ver, se emocionar, se não compreender e aceitar que Jesus é a nossa verdadeira Páscoa! Ele morreu, mas ressuscitou, está vivo e te convida para segui-Lo, só depende de você fazer esta “passagem” da morte espiritual para a vida eterna, das trevas do pecado para a luz.

Feliz Páscoa!

Um comentário:

Petrônio disse...

Prezada Andgela e blogeiros, quero parabenizá-la pelas colocações e ponderações. Nossa sociedade há muito que perdeu o sentido da páscoa e do natal. Estive presente na entrevista para a imprensa de Suzana Vieira no ano passado lá mesmo em Nova Jerusalém, foi lastimável; o ator Paulo Cesar que fez o papel de pilatos foi para a entrevista embriagado, tinha hora que nem terminava suas falas, por incrível que pareça só quem se salvou foi o ator Mauro Mendonça que fez o papel de Herodes. Lamentável. Deus continue abençoando sua vida e iluminando seu ministério. Viva Jesus o nosso cordeiro pascoal que foi morto e ressuscitou para nossa salvação e de todo aquele que nele crê. Pr. Petrônio Tavares, petroniojc@gmail.com