sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Espelho... Espelho Meu!




"Se a beleza constituísse o único mérito das mulheres, às feias só restaria enforcar-se." (Theophile Gautier)

Lembro-me que quando criança, sofri muitas brincadeiras maldosas por ser muito magra. Naquele tempo quem era gordinho era sinônimo de saúde. Perdi as contas dos inúmeros estimulantes de apetite que ensinavam à minha mãe para que eu tomasse que iria me fazer sentir vontade de comer e engordar. Como era difícil ser a “magricela” do grupo, a “Olívia Palito”, como muitas vezes fui chamada. Mas as pessoas não entendiam que aquele era o meu biótipo, eu me alimentava de acordo com a necessidade do meu organismo e não por vício ou “olho grande”. Interessante que os pais tinham o maior orgulho dos seus filhos gordinhos, diziam que eram crianças fortes e que tinham muito apetite. E eu, continuava a “Olívia Palito”. Não sabiam esses pais que na verdade estavam tornando seus filhos obesos, pois hoje sabemos que gordura não é saudável, provocando hipertensão, diabetes, ataques do coração e outras complicações.

O que mais vemos hoje são pessoas cheias de complexos e mal satisfeitas consigo mesmas por causa dessa maldita ditadura da beleza. A cada dia surgem inúmeras clínicas de estética prometendo tratamentos rejuvenescedores milagrosos, deixando o público feminino em polvorosa para experimentar esse “elixir da juventude”. Nunca se viu tanto programa de TV com quadros de transformações como temos agora, onde as pessoas “transformadas” sentem-se tristes, depressivas, única e exclusivamente por causa da aparência. Quase todos canais de TV têm um programa voltado para esse assunto. Quando termina a transformação até parece um toque de mágica, o sorriso se acende, a pessoa muda repentinamente quando vê a sua imagem refletida no espelho. Esses sorrisos que vemos na TV são verdadeiros, ou são efeito das luzes das câmeras, como se houvesse um botão liga-desliga que lhes obrigam a sorrir?

Fico pensando o que se passa na cabeça dessas pessoas. Será que elas não têm um objetivo de vida? São apenas uma máscara? Não têm sentimentos? A sua vida resume-se apenas na beleza exterior? Por causa dessa ditadura da beleza as pessoas estão se esquecendo de ver o que o outro tem de bom e belo em atitudes e sentimentos, porque para muitos, o que importa, é o que agrada aos olhos. Muitos relacionamentos iniciam e sobrevivem por conta da beleza dos parceiros e isso tem levado muita gente a cultuar o corpo de maneira tão exacerbada que o foco de sua vida tem sido esse.

Certa vez vi um artista declarar na TV ao ser questionado se ele namoraria uma mulher “burra do corpão” ou uma feia e inteligente, ele disse que preferiria “a burra do corpão”. Ouvi certa vez um rapaz dizer que se se casasse com uma mulher e ela ultrapassasse os 65 Kg ele a deixaria, porque ele era magro, esbelto, não iria ficar com uma mulher gorda. Aí eu pergunto: onde está o amor? Qual o valor do juramento: “na saúde ou na doença...”? E se a gordura for um caso de saúde ou invés de desleixo? E se fosse o contrário, ele engordasse demais, como se sentiria a mulher deixando ele por causa disso?

Outra coisa que as pessoas não tinham tanta preocupação antigamente, era com as rugas e os cabelos brancos. Isso era motivo de respeito, pois era sinal de experiência de anos vividos. E a moda das roupas era mais recatada, se mostrava menos o corpo. A moda de hoje é exibicionista, roupas minúsculas e apertadas para que se mostre a barriguinha tanquinho e as pernas bronzeadas e torneadas conseguidas ao custo de muita malhação, seios firmes e volumosos à base de solicone. Rugas? Flacidez? Isso é coisa do passado! Agora é a geração botóx que impera! Mas, e por dentro? Será que essas pessoas são felizes de verdade?

Hoje ninguém mais quer viver a sua idade real. As mães hoje disputam lugar com as filhas, freqüentam as mesmas baladas, vestem-se como irmãs ou amiguinhas. Avós? Nem disso querem mais ser chamadas! Parece que envelhecer hoje em dia é um crime.

Não sou contra a pessoa cuidar do corpo, ter uma vida saudável, praticar exercícios, mas da maneira que vemos hoje está se tornando doentio e deixando as pessoas superficiais. São inúmeros os casos de pessoas que morrem por causa de cirurgias plásticas que deram errado ou porque tomaram medicamentos inadequados para modelar o corpo, apenas para se adequar ao mundo dos corpinhos perfeitos e modelados, sem estrias ou celulites.


"Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação." (Madre Teresa de Calcutá)


Angela Vauthier

3 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Angêla!
Bela reflexão sobre um tema que influencia muito a nossa vida, mulheres e homens! Somos escravos de uma estética, de um padrão de beleza que só nos deixa mais e mais dependentes. Recentemente, li uma matéria sobre uma empresa Alemã que quer usar modelos mais "reais", ou seja, mais de acordo com a mulher "normal", com as suas "imperfeições". Sem fotoshop! Entendo que a gente tem que se cuidar e está bem, se sentir bonita faz parte. Mas, não devemos ser refém de padrões e escravas de moda e modismos, seguindo o vai e vem da mídia. Isso, além de custar caro, não resulta em satisfação, mas em frustação e futilidade. Devemos investir as nossas energias em atividades que nos ajudem a crescer, como serem humanos. Quem ama por causa da aparência não sabe o que significado o amor.
Um grande abraço! Que as bençãos do Pai sejam contigo!

Anônimo disse...

Angela,
Esqueci de acrescentar o meu nome
Por favor, se for possível, coloque.
Obrigada!

Nalva Mesquita
Recife - PE

D.Costta Jr disse...

Tia de muita valia foi esta coluna que você publicou para deixar cada vez mais claro que beleza não é nada!
Também era muito pertubado na escola e na igreja, mas não por minha estética mas por ser chorão, sentimental coisas assim, deixo pra vc uma sugestão fala um pouco sobre esses temas questão de existir pessoas diferentes e não um modelo padrão de ser humano.

Dionizio Costt Jr.